MCTI defende data centers próximos à geração de energia, enquanto o Brasil amplia
investimentos em inteligência artificial e cria novas oportunidades para inovação,
infraestrutura e competitividade.
O avanço da inteligência artificial está mudando não apenas a forma como empresas
utilizam tecnologia, mas também a infraestrutura necessária para sustentar essa
transformação. Modelos de IA, serviços em nuvem e aplicações de alto processamento
exigem cada vez mais capacidade computacional e, consequentemente, grandes volumes
de energia.
Nesse cenário, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) avalia a proximidade
entre data centers e fontes de geração de energia como uma estratégia para viabilizar a
expansão dessas estruturas no Brasil.
A discussão ganha ainda mais relevância diante da previsão de R$ 23 bilhões em
investimentos relacionados à inteligência artificial até 2028, dentro da estratégia
brasileira de desenvolvimento da tecnologia.
IA exige infraestrutura
A inteligência artificial depende de uma infraestrutura que muitas vezes não aparece para o
usuário final.
Por trás de uma ferramenta de IA existem servidores, chips especializados, sistemas de
armazenamento, redes de alta velocidade e uma enorme demanda energética. Quanto
maior a capacidade dos modelos e a quantidade de usuários, maior tende a ser essa
necessidade.
É por isso que a expansão da IA no Brasil passa necessariamente pela discussão sobre
energia, data centers, conectividade e capacidade computacional.
A ideia de aproximar data centers das fontes de geração pode contribuir para reduzir
determinadas limitações relacionadas à transmissão e à disponibilidade de energia em
regiões estratégicas.
Mas a expansão não depende apenas de construir novos centros de processamento.
O gargalo está além da tecnologiaO Brasil possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, o que representa
uma vantagem competitiva importante para a instalação de estruturas digitais de grande
porte.
Entretanto, existem gargalos.
A expansão de data centers exige investimentos em transmissão e distribuição de energia,
disponibilidade de terrenos, conectividade, licenciamento ambiental, capacidade de
fornecimento e segurança jurídica.
Também existe uma questão estratégica: onde o Brasil quer concentrar sua
infraestrutura de inteligência artificial?
A localização dos data centers pode influenciar diretamente os custos de operação e a
capacidade de expansão de serviços digitais no país.
Por isso, a discussão sobre IA deixou de ser exclusivamente tecnológica. Ela passou a
envolver também política energética, infraestrutura, indústria e desenvolvimento
econômico.
E onde entra a Lei do Bem?
Nesse contexto, mecanismos de incentivo à inovação também ganham importância.
A Lei do Bem é um dos principais instrumentos brasileiros de incentivo à pesquisa,
desenvolvimento e inovação tecnológica. O mecanismo permite que empresas que realizam
determinados investimentos em pesquisa e desenvolvimento possam utilizar incentivos
fiscais previstos na legislação.
Para empresas que estão desenvolvendo soluções envolvendo inteligência artificial,
automação, software, processamento de dados e novas tecnologias, compreender os
requisitos da Lei do Bem pode representar uma oportunidade para transformar parte do
investimento em inovação em uma estratégia de competitividade.
Isso é especialmente relevante porque a construção de uma economia baseada em IA não
depende apenas das grandes empresas de tecnologia.
Ela também passa por indústrias, startups, empresas de software, centros de pesquisa
e negócios tradicionais que estão incorporando inteligência artificial aos seus
processos.
IA pode acelerar a inovação brasileira
O debate sobre data centers também precisa ser observado por uma perspectiva mais
ampla.A expansão da infraestrutura de processamento pode criar condições para que empresas
brasileiras desenvolvam e utilizem soluções de IA sem depender exclusivamente de
estruturas localizadas no exterior.
Isso pode estimular novos negócios em áreas como:
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desenvolvimento de software;
automação industrial;
agronegócio;
saúde;
serviços financeiros;
logística;
indústria;
cibersegurança;
análise de dados;
computação em nuvem.
Nesse sentido, energia e computação passam a funcionar como infraestrutura
estratégica para a economia digital.
O desafio é transformar investimento em inovação
O Brasil possui recursos naturais, capacidade de geração de energia renovável, mercado
consumidor e um ecossistema tecnológico em expansão.
O desafio está em transformar essas vantagens em infraestrutura, pesquisa,
desenvolvimento e produtos competitivos.
Os investimentos previstos para inteligência artificial até 2028 mostram que existe uma
janela de oportunidade. Porém, para que esse movimento gere resultados duradouros, será
necessário combinar políticas de incentivo, infraestrutura energética, pesquisa científica,
formação de profissionais e segurança para investimentos privados.
A discussão sobre data centers próximos à geração de energia é, portanto, apenas uma
parte de uma questão maior:
como o Brasil pretende construir a infraestrutura necessária para participar da
próxima fase da economia baseada em inteligência artificial?
Para empresas que investem em inovação, esse cenário também merece atenção especial.
Incentivos como a Lei do Bem, aliados ao crescimento da IA e à expansão da infraestrutura
digital, podem criar novas possibilidades para transformar pesquisa e desenvolvimento em
vantagem competitiva.
No fim, a corrida pela inteligência artificial não será vencida apenas por quem desenvolver
os melhores algoritmos.
Será também uma corrida por energia, infraestrutura, conhecimento e capacidade de
inovar.ADB: informação para quem transforma inovação em
estratégia
Para empresas que investem em tecnologia e desenvolvimento, acompanhar as mudanças
regulatórias, os incentivos fiscais e os movimentos de infraestrutura é cada vez mais
importante.
A Lei do Bem e as políticas brasileiras de incentivo à inovação podem fazer parte
dessa estratégia, desde que os investimentos e projetos estejam adequadamente
estruturados e atendam aos requisitos legais.
Quer transformar inovação em estratégia?
Investir em tecnologia, pesquisa e desenvolvimento exige mais do que acompanhar as
tendências. É preciso entender quais investimentos podem ser estruturados como
projetos de inovação, quais incentivos estão disponíveis e como aproveitar essas
oportunidades de forma adequada.
A ADB pode ajudar sua empresa a avaliar seus projetos, investimentos em P&D e iniciativas
tecnológicas, identificando possibilidades relacionadas à Lei do Bem e aos incentivos à
inovação.
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